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AOS EXTREMOS DO ARCO ÍRIS


Silvério Pessoa

leitura de OS EXTREMOS DO ARCO-ÍRIS

Texto do artista Silvério Pessoa



Eu entendo a escrita de Raimundo Carrero através das ruas, espaços e ocupações do Recife. A cidade é um cenário perfeito para seus personagens e roteiros que de fato nos impactam e transformam paisagens urbanas em fatos e estrutura que apenas ele tem capacidade de desenhar com frases e palavras que transformam nosso pensamento.

A loucura e as tensões psicológicas são outras linhas da construção dos fatos que Carrero destaca e mergulha em divagações que são preponderantes em seu universo de personagens, lugares e buscas, que no meu entendimento é uma procura incessante de compreender a natureza humana em combinação com desejos e frustrações. Nos extremos de situações, praças, hospitais e sons, estão o segredo do conceito de ser humano.

São demais os caminhos que se cruzam em perfeita e imperfeita harmonia no trajeto que uma escrita possibilita aos leitores, aqueles que estão buscando sentido em uma estrutura fixa e óbvia, afaste-se desse universo de Carrero, pois a seta nunca acerta no alvo do esperado, e sim em partículas que formam as frases e sentidos plurais de suas histórias. Percebo assim, um trabalho sistêmico, complexo no que diz respeito à teia de significados que seu trabalho evidencia.

Nos extremos do arco íris revela uma serie de ícones. João Cabral de Melo Neto, filmes clássicos, Ascenso Ferreira de branco, Dexter Gordon, pois o autor é jazzmaníaco e já tocou sax, Agatha Cristie, o genial Alberto da Cunha Melo, Mauro Mota, e os cinemas emblemáticos do Recife, o São Luiz e o Moderno. É um verdadeiro passeio pela memória e pela atualidade da cidade que vibra e pulsa de loucuras e lucidez, esses extremos que tanto desejamos em nossas vidas, mesmo sem deixar claro que é isso que desejamos ler.

Na alma de Carrero estão todos os lugares imaginados e não imaginados, lugares nos quais as pessoas se realizam como pessoas em seus traumas e alegrias. Um conto de detetive e uma enfermaria repleta de sonoridades que escutamos lendo seus caminhos escritos, labirintos extremos, e cores diversas desse arco íris chamo Raimundo Carrero. Uma inquietante experiência que eu poderia ensaiar e tentar compreender como a mística urbana, os lugares sagrados de cada um de nós, a espiritualidade densa de cada personagem que nos confundem, se estão em nossa imaginação, na cabeça de Carrero ou mesmo no dia a dia de Recife.

O tempo é parceiro da vida. Ele revela o fim e o começo de tudo. Ele é extremo. Eu costumo pensar que literatura é emoção, no sentido da crise. Emoção e crise são peregrinas da alma, e nessa deliciosa aventura que é a vida, estamos sempre em busca dos extremos, que pode estar no arco íris ou no fundo do mar de nossas almas.



Carrero é único.

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